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Benefícios dos Ácidos Graxos Omega-3 (EPA e DHA) em Cavalos

Os ácidos graxos são macromoléculas orgânicas derivadas de hidrocarbonetos que são compostas de cadeias de átomos de carbono e hidrogênio e são a base estrutural das gorduras e lipídios. São moléculas muito diversas, que diferem umas das outras pelo comprimento de suas cadeias de hidrocarbonetos e pela presença, número, posição e/ou configuração de suas ligações duplas. As moléculas de ácidos graxos desempenham funções importantes a nível celular, o que as torna componentes essenciais para a saúde, e por este motivo, muitas vezes devem

ser obtidas através da dieta.

 

Os Ácidos Graxos Omega-3 são ácidos graxos polinsaturados com benefícios reconhecidos para a saúde. Eles são encontrados em uma variedade de fontes alimentares, incluindo peixes oleosos, krill e lulas. Os principais ácidos graxos Ômega-3 que mostraram evidência de benefícios à saúde são o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA).

 

Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente em aprender mais sobre os efeitos destes Ácidos Graxos na saúde animal. Nesta revisão, vamos nos concentrar nos benefícios que ela proporciona à saúde dos eqüinos.

Informações gerais sobre o Omega-3

 

Os Ácidos Graxos Polinsaturados (PUFA) são ácidos graxos essenciais para o crescimento e desenvolvimento normal de organismos multicelulares. Dentro do PUFA, encontramos dois grupos principais: Ácidos Graxos Omega-3 (ω-3) e Omega-6 (ω-6), que são Ácidos Graxos Essenciais (AGE) para humanos porque nos falta o maquinário enzimático necessário para biosintetizá-los. A nomenclatura "ω" considera o átomo de carbono do grupo terminal metílico do ácido graxo como o carbono principal e identifica a primeira ligação dupla mais próxima a este grupo químico. O primeiro expoente dos ácidos graxos ômega-3 é o ácido α-Ácido linolênico (ALA; C18:3) que via desaturases e elongases pode ser transformado em ácido icosapentaenóico (EPA; C20:5) e posteriormente em ácido docosahexaenóico (DHA; C22:6). O primeiro expoente dos ácidos graxos ω-6 é o ácido linoleico (C18:2) e um de seus derivados mais importantes é o ácido araquidônico (AA; C20:4) (Valenzuela et al., 2011) (ver Figura 1).

 

Figura 1.

Ácidos graxos polinsaturados: Metabolização de ω-6 e ω-3 ácidos graxos polinsaturados.

Caminhos de dessaturação e alongamento de Linoleic e α-Ácidos linolênicos (Valenzuela

As principais fontes de ALA na dieta são através de fontes vegetais, enquanto EPA e DHA são obtidas principalmente de peixes gordurosos como salmão, algumas algas e krill (Bus et al., 2019). Para cavalos, as fontes mais comuns de ácidos graxos Omega-3 utilizados na dieta são o óleo de linhaça, óleo de soja e óleo de peixe.

Entretanto, os óleos de soja e de linhaça são de origem vegetal, portanto, sua principal fonte de Ômega-3 é α-Ácido linolênico (ALA). Enquanto a principal fonte de Ômega-3 no óleo de peixe é a EPA e o DHA.

 

A capacidade dos cavalos de bioconverterter ALA para EPA e DHA não foi determinada, mas deve ser menor do que a dos humanos. Sabe-se que a taxa de bioconversão de ALA para EPA em humanos é inferior a 10% e a de ALA para DHA é inferior a 0,10%. Além disso, foi observado que a alimentação de cavalos com óleo de peixe aumentou significativamente a concentração de EPA e DHA em circulação no plasma (Piccione et al, 2014).

 

A suplementação diária com EPA e DHA mostrou reduzir a produção de citocinas pró-inflamatórias, tais como interleucina-1, interleucina-6, interleucina-8 e fator de necrose tumoral-α (TNF-α) que são liberadas quando macrófagos e monócitos são ativados (Camuesco et al, 2006). Embora estas citocinas atuem como ativadores potentes da função imune, o excesso de atividade destas substâncias contribui para a inflamação patológica, uma situação observada na inflamação intestinal crônica, artrite reumatóide, entre outras patologias inflamatórias (Valenzuela et al., 2011).

 

Os precedentes mostram que, tanto em humanos como em animais, o consumo de ω-3 PUFA deve ser aumentado através de alimentos ricos em EPA e DHA, ou desenvolver alimentos funcionais que os contenham em concentrações terapêuticas úteis, além de considerar o consumo complementar de suplementos nutricionais (nutracêuticos) com ω-3 PUFA.

Benefícios do Omega-3 nas juntas

 

Em cavalos que estão expostos a esportes de alto impacto como corridas, enduro entre outros, assim como aqueles que são utilizados para carregamento, é recorrente que se apresentem manqueira ou patologias crônicas que afetam as pernas, o que pode significar encurtar a vida do cavalo. Por esta razão, o uso de drogas é muito recorrente para aliviar a dor causada por tal coxeio. Mas em tempos recentes, diferentes alternativas foram estudadas, tais como suplementos que ajudam a reduzir a inflamação e, portanto, a dor. Seguindo esta linha, tem sido estudado que a suplementação de óleo de peixe pode melhorar a resposta inflamatória dos cavalos em constante treinamento e potencialmente melhorar seu estado de saúde. Devido ao efeito que a EPA e o DHA têm na membrana lipídica da célula, isto pode melhorar a transdução de sinal e a expressão gênica. Estes eventos podem favorecer o transporte e a ligação de IL-1Ra (Proinflamatório) a seus receptores, reduzindo assim a resposta ao processo inflamatório (Piccione et al, 2019).

 

Além disso, em processos como a artrite, a suplementação com Omega-3 favorece o tratamento desta patologia e diminui a concentração de prostaglandinas no líquido sinovial que, por sua vez, ajuda a diminuir a dor, melhorando assim a condição do espécime. Sugere-se sua utilização na laminite e em outras patologias do pé equino.

 

Além disso, foi observado que em processos patológicos como a osteoartrite (processo inflamatório e degenerativo das articulações), o uso do Omega 3 diminui a expressão de moléculas pró-inflamatórias em fibroblastos sinoviais, o que sugere que ele poderia favorecer a saúde das articulações tanto em estado de plena saúde quanto em situação patológica (Caron et al., 2019).

Benefícios do Omega-3 na atividade reprodutiva

 

Vários estudos relatam a fertilidade de garanhões e éguas, assim como em outras espécies como gado, suínos e humanos. O suplemento de EPA e DHA em éguas, regula a síntese de Prostaglandinas, aumentando assim os níveis de progesterona, favorecendo a sobrevivência do embrião. Por outro lado, estudos múltiplos indicam os benefícios da suplementação de éguas lactantes, devido à transferência destes

ácidos graxos para potros através do leite, tendo um sistema imunológico mais forte do que os potros alimentados com éguas não alimentadas com ácidos graxos ômega-3 (Hernandez, 2018).

 

Robert (2015), estudou os efeitos da incorporação de ácidos graxos ômega-3 no ambiente uterino em éguas e na expressão gênica em seus embriões. O estudo relata que a expressão dos genes responsáveis pelo transporte de nutrientes para o embrião tendeu a aumentar em éguas suplementadas com ômega 3 (DHA) (ver Figura 2).

Figura 2. Expressão dos genes relacionados ao transporte de nutrientes a nível uterino em éguas em 12 dias após a ovulação (Robert, 2015).

 

Por outro lado, os garanhões suplementados com fontes EPA e DHA mostraram um aumento no número de espermatozóides com morfologia normal, motilidade pós-congelamento, uma diminuição na porcentagem de atipias, uma diminuição na mortalidade espermática e um aumento na concentração espermática (Hernández, 2018).

 

 

Bibliografia

  • Camuesco, D.; Comalada, M.; Concha, A.; Nieto, A.; Sierra, S.; Xaus, J. 2006. Intestinal anti-inflammatory activity of combined quercitrin and dietary olive oil supplemented with fish oil, rich in EPA and DHA (n-3) polyunsaturated fatty acids, in rats with DSS induced colitis. Clin Nutr. 25:466-6.
  • Caron, J.; Gandy, J.; Brown, J.; Sordillo, L. 2019. Omega-3 fatty acids and docosahexaenoic acid oxymetabolites modulate the inflammatory response of equine recombinant interleukin1β-stimulated equine synoviocytes. Prostaglandins and Other Lipid Mediators. 142: 1–8.
  • De Bus,I.; Witkamp, R.; Zuilhof, H.; Albad, B.; Balvers, M. 2019. The role of n-3 PUFA-derived fatty acid derivatives and their oxygenated metabolites in the modulation of inflammation. Prostaglandins and Other Lipid Mediators. 144:1063512.
  • Hernández, R. 2018. Suplementación con grasa en caballos: Énfasis en los ácidos grasos esenciales. TECNIGRASAS, Suplementos y Nutrientes S.A.S. Pag. 31.
  • Manahart, S.; Scott, B.; Gibbs, P.; Coverdale, J.; Eller, E.; Honnas, C.; Hood, D. 2009. Markers of Inflammation in Arthritic Horses Fed Omega-3 Fatty Acids. The Professional Animal Scientist. 25:155–160.
  • Piccione, G.; Marafioti, S.; Giannetto, C.; Panzera, M.; Fazio, F. 2014. Effect of dietary supplementation with omega3 on clotting time, fibrinogen concentration and platelet aggregation in the athletic horse. Livestock Science.161: 109–113.
  • Piccione, G.; Giannetto, C.; Bruschetta, D.; Congiu, F.; Arfuso, F.; Giudice, E. 2019. Influence of exercise and dietary omega-3 oil supplementation on interleukin 1-Ra serum concentrations in Standardbred horses. Animal Production Science. 59: 232–235.
  • Robert, J. 2015. Dietary supplementation of omega-3 fatty acids influences the equine maternal uterine environment and embryonic development PhD Thesis. Virginia Polytechnic Institute and State University. USA. Pag. 122.
  • Valenzuela, R.; Tapia, G.; González, M.; Valenzuela, A. 2011. Omega-3 fatty acids (epa and dha) and its application in diverse clinical situations. Rev Chil Nutr. 38(3):356-367.

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